entrevista

Veneziano conta tudo sobre razões e consequências da filiação ao MDB

12 de janeiro de 2021 às 20h30 Por Wallison Bezerra
Senador Veneziano Vital do Rêgo se filiou ao MDB

No início da manhã desta terça-feira (12) o Blog noticiou que o senador Veneziano Vital do Rêgo iria se filiar ao MDB, 20 dias após deixar o ruído PSB da Paraíba. O fato se consolidou no fim da tarde durante solenidade em Brasília.

Ao Blog, na primeira entrevista após chegar ao MDB, Veneziano abriu o jogo sobre os bastidores que o levaram de volta ao partido e as consequências políticas dessa decisão.

– O que lhe motivou a escolher o MDB? 

“Depois da decisão que me levou a sair do PSB, eu tinha que fazer uma escolha, que não foi fácil. Recebi inúmeros convites, Cidadania, Rede, Podemos, Democratas e o próprio MDB… esse último não foi de hoje, desde 2019 quando houve o estremecimento no PSB. Na época, eu decidi continuar. Hoje, fiz questão de agradecer e reconhecer o que o PSB fez por mim. Não foi culpa [desfiliação] da executiva nacional, foi por uma situação local que não me dava condições de avançar. Quando eu fui fazer a escolha, você tem que levar em consideração o que vai conviver, com quem vai conviver, as relações, como e o que construir, e o ponto principal, que haja convergência programática. Não posso negar que houve num passado estremecimentos [com o MDB] quando me indispus sobre as reformas da previdência e trabalhista…. mas pela convivência, cultivo de amizades, é uma casa que me sinto muito a vontade”.   

– Qual será o papel no MDB da Paraíba? 

“Vou ser um colaborador, como já fui no PDT, no PMDB por 15 anos, inclusive exercendo mandato de prefeito, como fiz no PSB, nunca contrariei a legenda. Minhas linhas foram de convergências, sou um colaborador, quero assumir essa tarefa junto com quem já está. Volto ao MDB da Paraíba, que já conheço, na expectativa de ajudar o governador Maranhão, ele é a maior referência do partido. A minha missão é de ser um colaborador, ajudar a refortalecer o MDB, a gente precisa disso”. 

– Filiação foi condicionada à presidência do partido na Paraíba? 

“Não. Em nenhum momento condicionei minha ida ao MDB para assumir à presidência. Há quatro meses já tinha falado isso com o senador José Maranhão. Isso nunca foi ventilado. Para fazer um bom trabalho você não precisa estar na condição de presidente. O ponto chave é a relação com a legenda. Desejo que o governador Maranhão se recupere e volte o mais rápido possível”. 

– No MDB, o senhor vai integrar a base do governo Bolsonaro? 

“Não, de modo nenhum. Eles sabem muito bem meu comportamento. Não vou perder minha identidade. O MDB já sabe que não compactuo com as posições de Bolsonaro e do Planalto. Eu não votaria a favor da reforma da previdência se já estivasse no MDB. Quando eu fiz opção [filiar-se] foi para trabalhar pelo MDB, mas existem pontos que podemos divergir. Se tiver matéria que for defendida pelo governo e não for compreensível com minha linha de pensamento, peço licença”. 

– Como fica a relação com o Podemos?

“Ana Cláudia continua no Podemos. Eu vou continuar ajudando. Não vou criar dificuldades para o crescimento do Podemos”. 

– MDB será aliado de João Azevêdo? 

“O MDB participa do governo João. Raniery Paulino, nosso deputado na Assembleia Legislativa, é aliado de João. No MDB local de João Pessoa nós temos que respeitar. A gente respeita as posições de Nilvan Ferreira [ex-candidato a prefeito da Capital], que teve um papel digno nas eleições de 2020 e se opõe ao governador. Eu não concordo, mas não posso impor minha posição”. 

– E em 2022, como ficará o senhor e o MDB? 

“Continuo e continuarei aliado de João Azevêdo. Sou do governo. Minha posição em relação ao governo é de apoio, para que o governador, em se apresentando candidato à reeleição, eu, Veneziano, e alguns amigos, levarmos o apoio do MDB ao governador”. 

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